Eu não concebo uma pessoa rasgar, picotar ou destruir um livro, mas hoje, conversando com a equipe da biblioteca da Universidade Nova de Lisboa, me choquei com as pessoas.
Primeiro que, de 1994 a 2010, mas de mil (sim, mil) livros da biblioteca de uma universidade pública desapareceram. Os alunos levaram como empréstimos e jamais apareceram de volta. Neste ano, uma senhora graduada há 11 anos apareceu com um livro que ela achou na casa dela ao fazer uma mudança. Essa pelo menos devolveu, mas quantas pessoas não precisaram deste livro, minha senhora? Como órgão público, a biblioteca não tem verba para reposição de tudo que faltou. E pior que de vez em quando nós mesmo encontramos livros com carimbos de biblioteca nos sebos e não dizemos nada. Cúmplices...
Além disso, há os pobres livros vandalizados. Nesta semana por exemplo, pegaram um livro sobre a colonização do Brasil, com formato diferente e páginas costuradas, e arrancaram algumas páginas. Como a costura era forte, as páginas que ficaram estavam rasgadas e amassadas. A biblioteca teve que pedir um volume emprestado a outra biblioteca e tirar cópias coloridas dessas páginas para fazer um "reparo" na obra.
Livro em biblioteca é um dos bens mais democráticos. Está ali sem cobrar, disponível. Pronto para ser consultado, lido, emprestado. Vamos ter cuidado com o próximo leitor.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Penguin Classics se une à Companhia das Letras com missão de lançar os clássicos mais baratos do Brasil
Excelente notícia para quem adora clássicos e anda estourando o cartão com a compra de livros. O selo Penguin Classics acaba de fechar parceria com a Companhia das Letras prometendo os "clássicos mais baratos do Brasil".
Quem gosta de ler em inglês com certeza já teve nas mãos um exemplar da Penguin com capa mole e papel com qualidade baixa, mas não que lhe afete a leitura. A editora é justamente uma dessas especialistas em fórmulas para os livros ficarem baratos. E algumas edições são acompanhadas por prefácios e notas de editor que valem muito a pena. É esse conteúdo editorial que foi o principal no acordo entre as editoras, a Companhia das Letras agora tem acesso a tudo.
Serão 48 títulos em dois anos, 16 de clássicos da língua portuguesa. E a Penguin está analisando obras de Euclides da Cunha e Jorge Amado para lançar no seu catálogo internacional. A matéria saiu publicada no Estadão.
Quem gosta de ler em inglês com certeza já teve nas mãos um exemplar da Penguin com capa mole e papel com qualidade baixa, mas não que lhe afete a leitura. A editora é justamente uma dessas especialistas em fórmulas para os livros ficarem baratos. E algumas edições são acompanhadas por prefácios e notas de editor que valem muito a pena. É esse conteúdo editorial que foi o principal no acordo entre as editoras, a Companhia das Letras agora tem acesso a tudo.
Serão 48 títulos em dois anos, 16 de clássicos da língua portuguesa. E a Penguin está analisando obras de Euclides da Cunha e Jorge Amado para lançar no seu catálogo internacional. A matéria saiu publicada no Estadão.
Marcadores:
Editoras,
Estimulando leitores,
Lançamentos
domingo, 11 de julho de 2010
Os Íntimos - Inês Pedrosa
Segundo a amiga e escritora Patrícia Reis, Inês Pedrosa é uma mulher que sempre anda carregando na bolsa um livro (como uma arma contra o mundo que a espera) e um bloco de anotações ("Porque sempre pode me aparecer um romance"). Foi munida deste bloco que Inês passou passou meses perseguindo seus amigos homens. Entre almoços e encontros recolhia frases e filosofias. No lançamento do livro no Porto, entre a platéia se encontrava um dos "matéria-prima" para seu romance "On Íntimos", marotamente denunciado pela escritora.
Com esses pedaços de gente, ela construiu cinco personagens masculinos que habitam o universo de Lisboa. Uma Lisboa urbana, mundana e cotidiana. Retratada em comunhão com seu tempo de chuvas torrenciais, vento forte e calor sufocante. Os cinco amigos se encontram para jantar uma vez por mês. Acompanham o jogo de futebol, bebem, flertam com a garçonete. Afonso é oncologista marcado pela tragédia , com pose de galã, relacionamentos confusos e profundos e o principal narrador daquela noite. Guilherme, Filipe, Augusto e Pedro são seus amigos mais próximos e nem por isso mais conhecedores de sua vida. Mas são íntimos. O bastante para rirem uns dos outros, para se confidenciarem e se arrependerem, para não se magoarem se o outro não lhe escutou falar.
A escrita de Inês Pedrosa não deixa que seus "machos" caiam no estereótipo. Os capítulos são construídos de forma que a posição de narrador circula pelos personagens e eles descontróem-se uns aos outros para o leitor revelando as camadas de cada história. Da mesma forma que os amigos reais conhecem as verdades nas nossas mentiras e as mentiras por trás de cada frase. As mulheres aparecem como personagens destas histórias. Povoam tanto o universo masculino como eles povoam o delas.
E revelam-se para o leitor. O que nunca conseguiu amar, o que acaba de descobrir o amor e não sabe o que fazer dele. Sua relação com a paternidade e o amor incondicional e sempre desprezado em prol dos amores maternos. As paixões e as conquistas. Os íntimos são filhos de uma geração que viveu a ditadura e acompanhou a chegada da democracia, que viu aparecer a necessidade do preservativo nos relacionamentos, que hoje alcançou a meia-idade e passa mais tempo a reviver o que se passou do que o presente.
Inês se aventura pela primeira vez nas amizades e relacionamentos de um ponto de vista eminentemente masculino. Em "Nas Tuas Mãos" havia trazido três protagonistas femininas, também dividindo com Lisboa suas vidas.Este também é um livro fincado nas cidades, sai de Lisboa, passa pelo Porto e retorna. Mais uma vez, a autora tem uma escrita clara, sem floreios e carregada de sentimentos. No fim, não há dúvidas, ficamos do lado dos homens.
"Os Íntimos" será lançado pela editora Alfaguara no Brasil em Novembro.
Em Portugal, é editado pela Dom Quixote, tem 272 páginas e custa em média 15 euros.
Com esses pedaços de gente, ela construiu cinco personagens masculinos que habitam o universo de Lisboa. Uma Lisboa urbana, mundana e cotidiana. Retratada em comunhão com seu tempo de chuvas torrenciais, vento forte e calor sufocante. Os cinco amigos se encontram para jantar uma vez por mês. Acompanham o jogo de futebol, bebem, flertam com a garçonete. Afonso é oncologista marcado pela tragédia , com pose de galã, relacionamentos confusos e profundos e o principal narrador daquela noite. Guilherme, Filipe, Augusto e Pedro são seus amigos mais próximos e nem por isso mais conhecedores de sua vida. Mas são íntimos. O bastante para rirem uns dos outros, para se confidenciarem e se arrependerem, para não se magoarem se o outro não lhe escutou falar.
A escrita de Inês Pedrosa não deixa que seus "machos" caiam no estereótipo. Os capítulos são construídos de forma que a posição de narrador circula pelos personagens e eles descontróem-se uns aos outros para o leitor revelando as camadas de cada história. Da mesma forma que os amigos reais conhecem as verdades nas nossas mentiras e as mentiras por trás de cada frase. As mulheres aparecem como personagens destas histórias. Povoam tanto o universo masculino como eles povoam o delas.
E revelam-se para o leitor. O que nunca conseguiu amar, o que acaba de descobrir o amor e não sabe o que fazer dele. Sua relação com a paternidade e o amor incondicional e sempre desprezado em prol dos amores maternos. As paixões e as conquistas. Os íntimos são filhos de uma geração que viveu a ditadura e acompanhou a chegada da democracia, que viu aparecer a necessidade do preservativo nos relacionamentos, que hoje alcançou a meia-idade e passa mais tempo a reviver o que se passou do que o presente.
Inês se aventura pela primeira vez nas amizades e relacionamentos de um ponto de vista eminentemente masculino. Em "Nas Tuas Mãos" havia trazido três protagonistas femininas, também dividindo com Lisboa suas vidas.Este também é um livro fincado nas cidades, sai de Lisboa, passa pelo Porto e retorna. Mais uma vez, a autora tem uma escrita clara, sem floreios e carregada de sentimentos. No fim, não há dúvidas, ficamos do lado dos homens.
"Os Íntimos" será lançado pela editora Alfaguara no Brasil em Novembro.
Em Portugal, é editado pela Dom Quixote, tem 272 páginas e custa em média 15 euros.
Marcadores:
Lançamentos,
Livro da semana,
Resenhas
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Saindo de literatura para o jornalismo : Encontro Nacional de Pesquisa
Do site da SBPJor: http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?p=10098
Chamada para encontro nacional
Os pesquisadores interessados em participar do 8o. Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo podem enviar seus papers entre os dias 01 de junho e 15 de julho de 2010. Não é necessário pagar a inscrição para submeter os trabalhos para avaliação. O evento acontece em São Luis do Maranhão, entre os dias 08 e 10 de novembro.
Os trabalhos serão avaliados sob os seguintes critérios gerais: pertinência ao campo da pesquisa em jornalismo, relevância científica, explicitação do problema ou objetivo, adequação e atualização da bibliografia, qualidade da reflexão teórica, explicitação e consistência da metodologia (quando pertinente), domínio da linguagem científica, adequação do título e das palavras-chave ao objeto de estudo.
Mais informações no site acima mencionado.
sábado, 26 de junho de 2010
Se à terra pertencia
Escritores, jornalistas, políticos, amigos e leitores de José Saramago ontem, dia 26 de junho, realizaram o que para mim foi a homenagem mais bonita ao escritor. A Casa Fernando Pessoa, dirigida pela escritora Inês Pedrosa, fez uma Maratona de leitura da obra "O Ano da Morte de Ricardo Reis", que teve início ao meio dia em ponto e tinha previsão de terminar às 2 da madrugada. Não pude acompanhar até o fim para saber, mas quando saí às 14 horas ainda estavam na página 60. A obra tem 582 páginas no total.
A leitura foi aberta pela esposa de Saramago, Pilar del Rio, que iniciou com a versão em espanhol. Após, as pessoas foram se alternando e o próprio público, que trouxe seu livro de casa ia se inscrevendo para ler. As duas horas que permaneci foram emocionantes. Homegear um escritor com as palavras escritas por ele é o que de mais doce pode haver. Me lembrou a imagem das pessoas levando o livro ao velório dele na Câmara Municipal de Lisboa e os impunhando, como se faria com velas, em frente ao caixão. Saramago não acreditava em velas, acreditava na força da mudança e suas palavras refletiam isso.
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que leu muito bem seu páragrafo, anunciou que as cinzas do escritor serão colocadas em frente a Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago. Ficarão junto a uma oliveira centenária, que será trazida de sua cidade natal Azinhaga, no Ribatejo, e a uma pedra de Pêro Pinheiro (usada na construção do convento) em que estará gravada uma frase do livro "Memorial do Convento": “Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia”.
A Casa Fernando Pessoa já tinha feito uma maratona de leitura antes, foi da obra "As Memórias Póstumas de Brás Cubas" em homenagem ao centenário do escritor brasileiro Machado de Assis, em 2008. Ouvir a obra de Saramago em várias vozes, entonações e tons (sua neta não pôde conter o choro ao ler seu parágrafo) me fez sentir mais saudade das obras que não serão escritas. Perdemos música
A leitura foi aberta pela esposa de Saramago, Pilar del Rio, que iniciou com a versão em espanhol. Após, as pessoas foram se alternando e o próprio público, que trouxe seu livro de casa ia se inscrevendo para ler. As duas horas que permaneci foram emocionantes. Homegear um escritor com as palavras escritas por ele é o que de mais doce pode haver. Me lembrou a imagem das pessoas levando o livro ao velório dele na Câmara Municipal de Lisboa e os impunhando, como se faria com velas, em frente ao caixão. Saramago não acreditava em velas, acreditava na força da mudança e suas palavras refletiam isso.
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que leu muito bem seu páragrafo, anunciou que as cinzas do escritor serão colocadas em frente a Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago. Ficarão junto a uma oliveira centenária, que será trazida de sua cidade natal Azinhaga, no Ribatejo, e a uma pedra de Pêro Pinheiro (usada na construção do convento) em que estará gravada uma frase do livro "Memorial do Convento": “Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia”.
A Casa Fernando Pessoa já tinha feito uma maratona de leitura antes, foi da obra "As Memórias Póstumas de Brás Cubas" em homenagem ao centenário do escritor brasileiro Machado de Assis, em 2008. Ouvir a obra de Saramago em várias vozes, entonações e tons (sua neta não pôde conter o choro ao ler seu parágrafo) me fez sentir mais saudade das obras que não serão escritas. Perdemos música
sexta-feira, 18 de junho de 2010
José Saramago foi ao encontro do nada
O escritor José Saramago era conhecido por seu profundo e marcante ateísmo. Me pergunto aonde ele acreditava que iria após deixar seu corpo terreno. Provavelmente, ao nada, como todo bom ateu. então, hoje, Saramago foi ao encontro do nada que lhe esperava. E aqui na terra ficamos a lamentar a imensa perda. Ele deixa-nos 20 ou 30 páginas do que seria um novo romance e uma intensa obra disponível.
Conheci o escritor no lançamento do livro Caim, em outubro do ano passado. Ironicamente, foi o livro do autor que eu menos gostei. Me cansava um pouco essa briga do escritor com Deus. Eu sempre acreditei que Saramago era um ateu mal resolvido, porque os bem resolvidos mesmo não estão nem aí para Deus, já Saramago escrevia com raiva, como uma afronta ao Deus. Achei engraçado ir lendo o livro e sentindo o clima de briga.
Após tirar fotos e ter livros autografados, lembro de termos dito que largar tudo e vir parar em Portugal já tinha valido a pena ali. Realizando o sonho de conhecer o escritor que tanto nos embalara durante a vida. Agora, fico ainda mais agradecida de ter tido a oportunidade de conhecer em vida o escritor. Fica aqui nosso lamento. Portugal está de luto oficial por dois dias e até domingo José Saramago será velado na Câmara Municipal de Lisboa. Não iremos lá, vou guardar as imagens dele que tive em Penafiel.
E para lembrar desse encontro, os links dos dois posts sobre nosso encontro com o Nobel:
http://pjegena.blogspot.com/2009/11/nos-e-o-nobel-parte-1.html
http://pjegena.blogspot.com/2009/11/nos-e-o-nobel-parte-2.html
Para que nunca leu Saramago, meu preferido é Ensaio sobre a Cegueira mas também recomendo muito As Intermitências da Morte, O Homem Duplicado e, principalmente, Todos os nomes. O ano da morte de Ricardo Reis também merece uma longa e carinhosa leitura.
Conheci o escritor no lançamento do livro Caim, em outubro do ano passado. Ironicamente, foi o livro do autor que eu menos gostei. Me cansava um pouco essa briga do escritor com Deus. Eu sempre acreditei que Saramago era um ateu mal resolvido, porque os bem resolvidos mesmo não estão nem aí para Deus, já Saramago escrevia com raiva, como uma afronta ao Deus. Achei engraçado ir lendo o livro e sentindo o clima de briga.
Após tirar fotos e ter livros autografados, lembro de termos dito que largar tudo e vir parar em Portugal já tinha valido a pena ali. Realizando o sonho de conhecer o escritor que tanto nos embalara durante a vida. Agora, fico ainda mais agradecida de ter tido a oportunidade de conhecer em vida o escritor. Fica aqui nosso lamento. Portugal está de luto oficial por dois dias e até domingo José Saramago será velado na Câmara Municipal de Lisboa. Não iremos lá, vou guardar as imagens dele que tive em Penafiel.
E para lembrar desse encontro, os links dos dois posts sobre nosso encontro com o Nobel:
http://pjegena.blogspot.com/2009/11/nos-e-o-nobel-parte-1.html
http://pjegena.blogspot.com/2009/11/nos-e-o-nobel-parte-2.html
Para que nunca leu Saramago, meu preferido é Ensaio sobre a Cegueira mas também recomendo muito As Intermitências da Morte, O Homem Duplicado e, principalmente, Todos os nomes. O ano da morte de Ricardo Reis também merece uma longa e carinhosa leitura.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Tom Clancy reúne seus personagens em um só livro
Do site Omelete:
Tom Clancy anunciou para dezembro o lançamento do livro que vai reunir vários de seus personagens em uma única história de luta contra o terrorismo após o 11 de setembro. Dear or Alive coloca lado a lado Jack Ryan e John Clark, personagens de A Caçada ao Outubro Vermelho e A Soma de Todos os Medos, ao lado do filho de Ryan e também analista da CIA, Jack Ryan Jr., mais Ding Chavez e Mary Pat Foley.
A editora G.P. Putinam's Sons informou que a primeira tiragem do livro chegará às lojas no dia 7 dezembro com 1,75 milhão de cópias em capa dura nos Estados Unidos e lançamento simultâneo tanto da edição eletrônica como da edição britânica. A data marca o aniversário do ataque japonês a Pearl Harbor, o que deve dar um belo impulso no interesse público por mais uma batalha dos EUA contra uma nova ameaça mundial. Para quem prefere aguardar, a edição em brochura será lançada em 2011.
Em Dead or Alive, o grupo de agentes está na caça ao "Emir", um líder terrorista responsável por uma sequência de ataques ao Ocidente. A história é trabalho de Clancy com seu colaborador habitual Grant Blackwood, veterano da Marinha dos Estados Unidos e autor de uma série com o personagem Briggs Tanner.
Leia a matéria completa em http://www.omelete.com.br/cinema/tom-clancy-reune-seus-personagens-em-um-so-livro/
Assinar:
Postagens (Atom)
